O programa de governo de Lula (PT) para 2027–2030, resumido por tema, com base no arquivo original disponibilizado pelo TSE. Cada número e cada proposta traz a página do original, para poder ser referenciado quando necessário.
Números que o plano apresenta, postos ao lado das séries oficiais. O gráfico mostra o dado da fonte; o plano entra como referência. A leitura só compara, e a conclusão fica com você.
Crescimento do PIB, ano a ano
Plano: em torno de 3% ao ano
O plano diz Crescimento da economia "em torno de 3% ao ano" nos últimos anos. p. 10
O dado oficial Na série do IBGE o PIB oscila bastante: recessão em 2015 (−3,5%) e 2016 (−3,3%), queda de 3,3% em 2020 e rebote de 4,8% em 2021. Nos três últimos anos completos foram 3,2% (2023), 3,4% (2024) e 2,3% (2025): média de 3,0%, o que confere com o plano. Dos três, 2025 foi o menor.
O plano diz Inflação média de 4,6% ao ano no mandato, descrita como a menor de um mandato presidencial na história. p. 10
O dado oficial A inflação anual passou de 10,67% em 2015 e 10,06% em 2021 para 4,62% em 2023, 4,83% em 2024 e 4,26% em 2025. A média desses três anos é de 4,57%, próxima dos 4,6% do plano, que fala do mandato inteiro (2026 ainda não terminou). Este gráfico não verifica a parte "menor da história".
O plano diz As menores taxas de desemprego da série histórica. p. 73
O dado oficial A taxa trimestral do IBGE foi de 6,2% no fim de 2013, subiu até 14,9% no 3º trimestre de 2020 (pandemia) e chegou a 5,1% no 4º trimestre de 2025, o menor valor da série iniciada em 2012. O IBGE informa ainda que a média anual de 2025 (5,6%) é a menor desde 2012. O 1º trimestre costuma subir por sazonalidade, como em 2025 (7,0%).
O plano diz Índice de Gini de 0,504, o menor da série histórica. p. 12
O dado oficial O valor de 0,504 é o de 2024 e é, de fato, o menor da série do IBGE. Em 2025 o índice subiu para 0,511, ainda abaixo de todos os anos de 2012 a 2023. Quanto menor o índice, menor a desigualdade.
O plano diz Participação de 89% de fontes renováveis na matriz elétrica, contra 31% na OCDE. p. 64
O dado oficial A EPE registra 88,2% de renováveis em 2024 e 86,8% em 2025, com queda de 1,4 ponto por menor geração hidrelétrica. Os 89% do plano ficam pouco acima desses dois valores, e o resumo do plano não indica o ano de referência.
Universalizar a internet de qualidade nas escolas no próximo mandato. Hoje, 75% das escolas já têm conectividade nos parâmetros adequados, segundo o plano.
Manter a ação no Senado pelo fim da escala 6x1 e pela redução da jornada para 40 horas, sem redução de salário, "nos termos aprovados na Câmara dos Deputados".
O programa apresenta o próximo mandato como continuidade do atual, com quatro ideias centrais: soberania, democracia, desenvolvimento sustentável e criatividade. O texto mistura o balanço do governo atual, que é o próprio plano que apresenta, com diretrizes para 2027–2030. Na maior parte, as propostas são diretrizes, sem número ou prazo.
Números em destaque
Balanço do plano3% ao ano
Crescimento da economia "em torno de 3% ao ano" nos últimos anos, segundo o plano, que cita o retorno do Brasil ao grupo das 10 maiores economias.
Dar continuidade ao projeto do atual governo e concluir o que o plano chama de reformas estruturais "em curso". p. 14
Fortalecer a soberania em várias frentes: democrática, defesa nacional, científica, tecnológica, digital, energética, ambiental, econômica, alimentar, de saúde e de educação. p. 14
1. Democracia, participação social e Estado p. 15–18
Propostas sobre reforma política, participação da sociedade no orçamento, regulação das plataformas digitais, serviços públicos digitais e combate à corrupção.
Números em destaque
Balanço do plano28
Conferências nacionais realizadas desde 2023, segundo o plano.
Fazer uma reforma política e eleitoral, que o plano chama de "inadiável". p. 15
Debater com a sociedade o atual sistema de emendas parlamentares e o orçamento secreto. p. 15–16
Avançar na regulação democrática das redes sociais e plataformas digitais para impedir a difusão de desinformação e campanhas de ódio. p. 16
Manter o diálogo com o Judiciário sobre a morosidade da Justiça, respeitando a autonomia dos Poderes. p. 16
Criar a Política Nacional de Letramento Digital e um Conselho Nacional pela Soberania Digital, com participação da sociedade. p. 17
Aprofundar o Plano de Integridade e Combate à Corrupção 2025–2027, responsabilizando "corruptos e corruptores", com respeito à independência das instituições. p. 18
Investir no Portal da Transparência para torná-lo uma plataforma de dados abertos com inteligência artificial. p. 18
Proteção social, justiça tributária, igualdade racial, direitos das mulheres, pessoas idosas, pessoas com deficiência, crianças, juventude e política de cuidados.
Números em destaque
Balanço do planoaté R$ 5.000
Faixa de isenção do Imposto de Renda: o plano diz que o atual governo isentou quem ganha até esse valor, cumprindo compromisso de 2022.
Dos estudantes de graduação que declaram cor ou raça se identificam como pretos, pardos ou indígenas, e três em cada quatro ingressantes vêm da escola pública, segundo o plano.
Manter, aperfeiçoar e ampliar as políticas de proteção social, entre elas o Bolsa Família e a valorização do salário mínimo. p. 18–19
Dar continuidade ao Pacto de Enfrentamento ao Feminicídio: ampliar Salas Lilás e distribuir kits para monitorar agressores. p. 21
Ampliar a rede de Centros-Dia e as vagas públicas em instituições de longa permanência, com mais fiscalização, e dar escala ao PADI Brasil. p. 22
Manter o Viver sem Limites, fiscalizar as cotas de contratação de pessoas com deficiência e ampliar os Centros de Reabilitação. p. 23
Aprimorar o ECA Digital e regulamentar o uso de telas por faixa etária para proteger crianças e adolescentes. p. 24
Para a juventude: aprimorar o Pé-de-Meia, manter os cursinhos populares e fortalecer a assistência estudantil. p. 24
Consolidar o SUAS e a Política Nacional de Cuidados, com apoio a Cuidotecas, cozinhas solidárias, lavanderias públicas e formação de cuidadores. p. 25–26
Combate ao crime organizado, controle de armas, sistema prisional, integração entre União, estados e municípios, e uma proposta de emenda constitucional já enviada ao Congresso.
Números em destaque
Balanço do planoR$ 35,8 bilhões
Prejuízos causados a organizações criminosas desde 2023 pela estratégia de "asfixia financeira", segundo o plano.
Do Fundo Nacional de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS) para estados e municípios, previstos no programa Brasil Contra o Crime Organizado, lançado em maio de 2026.
Aprovar a PEC da Segurança Pública, enviada ao Congresso, e, se aprovada, criar o Ministério da Segurança Pública. p. 27 e 30
Manter a Lei Antifacção, sancionada em 2026, e a estratégia de asfixia financeira do crime organizado e das milícias. p. 27
Manter a política de controle de armas e munições e melhorar a rastreabilidade. O plano chama de "acertada" a revogação dos decretos que facilitavam o acesso a armas. p. 28
Cumprir as metas do Plano Pena Justa, criar o Pacto Nacional de Execução Penal e ampliar a capacidade do sistema penitenciário federal. p. 28
Ampliar as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs) e modernizar os sistemas de inteligência. p. 28
Na Amazônia: radares, drones, sensores e satélites para monitorar o território e integrar a detecção do desmatamento às ações de segurança. p. 29
Policiamento de proximidade, câmeras corporais com padrão nacional e mais controle interno e externo da atividade policial. p. 30
Reforçar o combate a crimes cibernéticos, fraudes bancárias e exploração sexual de crianças e adolescentes. p. 29
Prioridade para a educação básica (creches, alfabetização, tempo integral, Pé-de-Meia) e expansão da rede federal técnica e superior, com meta de cumprir o Plano Nacional de Educação 2026–2036.
Números em destaque
Balanço do plano66%
Crianças alfabetizadas na idade certa em 2025, acima da meta de 64%, segundo o plano.
Universalizar a internet de qualidade nas escolas no próximo mandato. Hoje, 75% das escolas já têm conectividade nos parâmetros adequados, segundo o plano.
Dar prioridade absoluta à ampliação da educação em tempo integral e apoiar estados e municípios na construção de creches e escolas, numa segunda edição do Novo PAC. p. 31–32
Continuar e fortalecer o Pé-de-Meia: "nenhum jovem em situação de pobreza ou vulnerabilidade deve deixar a escola por falta de renda". p. 32
Manter o Piso Nacional do Magistério e apoiar a formação de professores com o Pé-de-Meia Licenciatura e o Bolsa Mais Professores. p. 32–33
Expandir os Institutos Federais, priorizando o interior, as periferias e os municípios com pouca oferta de cursos técnicos. p. 33
No ensino superior: concluir obras e novos campi, implantar a unidade do ITA no Ceará, a Universidade Indígena e a Universidade do Esporte, e aperfeiçoar a assistência estudantil. p. 33
Criar uma estratégia nacional permanente de recomposição das aprendizagens, com atenção aos anos finais do fundamental e ao ensino médio. p. 31
Manter o Farmácia Popular 100% gratuito e incluir exames de monitoramento de hipertensão e diabetes. p. 36
Criar uma fila única digital, ordenada por risco clínico, com mais transparência, e ampliar o terceiro turno nos serviços, as Carretas da Saúde e os mutirões. p. 37–38
Consolidar o prontuário único do cidadão e permitir marcar consultas e ver exames no celular. p. 35
Manter o Mais Médicos, que dobrou de tamanho segundo o plano, com foco na fixação de profissionais. p. 35
Manter a vacinação nas escolas e ampliar vacinas, como HPV, dengue e VSR. p. 36–37
Ampliar a rede de cuidado do câncer, com centros de radioterapia e telediagnóstico. p. 38
Fortalecer a saúde da mulher: Dignidade Menstrual, contraceptivos no SUS, maternidade segura e redução da mortalidade materna. p. 38–39
Ampliar a Rede de Atenção Psicossocial e os CAPS, com foco em crianças, adolescentes e jovens. p. 39
Fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde, incluindo a volta da produção nacional de insulina. p. 39
Fomento à cultura (Lei Rouanet, Lei Aldir Blanc, audiovisual, games), educação cultural nas escolas e políticas de esporte, incluindo a Copa do Mundo Feminina.
Números em destaque
Balanço do plano16 mil
Pontos e Pontões de Cultura do programa Cultura Viva.
Moradias contratadas no Minha Casa Minha Vida: a meta de 2 milhões foi alcançada um ano antes do previsto, e a nova meta é de 3 milhões até o fim de 2026.
Política econômica (arcabouço fiscal, juros, inflação), reforma tributária, Nova Indústria Brasil, Novo PAC, economia digital, desenvolvimento regional e pequenos negócios.
Números em destaque
Balanço do planoR$ 240 bilhões
Esforço fiscal entre 2023 e 2026, de cerca de 2% do PIB, segundo o plano.
Manter o novo arcabouço fiscal e criar condições para uma redução sustentada dos juros, com inflação controlada. p. 49
Acompanhar o endividamento das famílias, manter os fundos garantidores e os controles de gastos excessivos com apostas on-line. p. 49
Focar a política industrial em inovação, inteligência artificial e minerais críticos, e criar política para terras raras que evite a simples exportação da matéria-prima. p. 50 e 52
Manter o ritmo das concessões de rodovias e intensificar as de ferrovias. p. 53
Soberania digital: IA desenvolvida por empresas brasileiras, supercomputadores nacionais e regras para data centers, como eficiência energética e uso progressivo de energia 100% renovável. p. 54–55
Reduzir o déficit de fibra óptica, que ainda atinge 11% dos municípios, e ampliar o 5G no campo. p. 55
Regulamentar o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional, criado na reforma tributária. p. 56
Para micro e pequenas empresas: simplificar o ambiente de negócios, ampliar o acesso a compras governamentais e garantir tratamento tributário justo. p. 57
Manter a ação no Senado pelo fim da escala 6x1 e pela redução da jornada para 40 horas, sem redução de salário, "nos termos aprovados na Câmara dos Deputados".
Continuar a política de valorização do salário mínimo, com aumento real todos os anos. p. 73–74
Criar um sistema de proteção para o trabalho em plataformas digitais, com regras sobre relação de trabalho, remuneração, previdência e transparência do algoritmo. p. 74–75
Continuar combatendo a "pejotização espúria", com mais fiscalização e inspeção do trabalho. p. 74
Tornar obrigatórios os planos de ação das empresas com desigualdade salarial entre mulheres e homens, com metas progressivas. p. 75
Mudar regras trabalhistas que o plano vê como indutoras de precarização e fraudes em terceirizações, e retomar a assistência sindical nas rescisões. p. 75
Ampliar crédito, qualificação e simplificação tributária para trabalhadores autônomos e microempreendedores. p. 76
Concluir a modernização do INSS, reduzir as filas e criar formas de contribuição mais flexíveis na Previdência. p. 77
Defesa nacional, inteligência, fronteiras, integração sul-americana, comércio exterior e participação do Brasil em organismos internacionais.
Números em destaque
Balanço do planoR$ 20,4 bilhões
Executados desde 2023 em projetos estratégicos de defesa, com 7 caças Gripen F-39 entregues, 3 cargueiros KC-390, 4 fragatas em construção e 226 viaturas blindadas.
Fortalecer a Base Industrial e Tecnológica de Defesa e reforçar a defesa cibernética. p. 78–79
Exercer a Inteligência de Estado em caráter civil, "rejeitando seu uso para fins de perseguição política". p. 79
Aprofundar o Mercosul e a integração sul-americana, e manter uma política externa universalista, com África, Ásia, Oriente Médio e Europa. p. 80–81
Defender a reforma da ONU, da OMC e do FMI, e aprofundar a aproximação com o BRICS e o G20. p. 81
Buscar uma governança internacional para inteligência artificial e plataformas digitais. p. 81–82
O que o texto não menciona
Busca de termos no texto do documento (cópia de 84 páginas, em 6 de outubro de 2026). Ajuda a conferir o que o plano não traz, mas a ausência de um termo não é garantia sobre o futuro. É só um sinal de que não há proposta escrita sobre o assunto.
"igreja", "religião" e "culto": Os termos não aparecem no documento. O plano não traz proposta sobre templos ou cultos. A liberdade de crença e de culto está na Constituição (art. 5º e art. 19).
"comunismo" e "socialismo": Os termos não aparecem. O plano fala em "desenvolvimento" e usa "projeto liberal-conservador" para o adversário político. A reforma agrária aparece como política de assentamento e crédito fundiário (p. 60).
"expropriação" e "confisco": Os termos não aparecem no documento.
"privatização": O termo não aparece. O texto fala em concessões de rodovias, ferrovias e portos (p. 53 e 54).
Temas que aparecem e geram dúvida: Direitos sexuais e reprodutivos (p. 21) e políticas para a população LGBTQIAP+ (p. 23) aparecem no texto. Para conversar sobre eles, leia o trecho no original e cite a página.
Resumo conferido em outubro de 2026 com o PDF original de 84 páginas do TSE: números e páginas citados foram verificados no texto. Se encontrar um erro, avise pelo Contato.